LIÇÃO 1 | O mistério da Santíssima Trindade
4 de janeiro de 2026
TEXTO ÁUREO
““Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17).
VERDADE PRÁTICA
A doutrina da Trindade é central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas que coexistem e atuam harmoniosamente na Obra da Redenção.
LEITURA DIÁRIA
Segunda — Mc 1.9-11
A Trindade revelada no batismo de Jesus
Terça — Is 42.1
O Servo do Senhor em quem Deus se compraz
Quarta — Mt 28.19
A fórmula batismal trinitária na Grande Comissão
Quinta — 2Co 13.13
A bênção apostólica e a comunhão trinitária
Sexta — Ef 4.4-6
Um só Espírito, um só Senhor, um só Deus
Sábado — 1Pe 1.2
A obra redentora trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 3.13-17.
3 — Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele.
14 — Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
15 — Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.
16 — E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
17 — E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
INTRODUÇÃO
O batismo de Jesus retrata um dos momentos da revelação divina sobre a natureza trinitária de Deus. Nele, de maneira simultânea, as três Pessoas da Trindade se manifestam: o Filho é batizado, o Espírito Santo desce como pomba e o Pai fala dos céus. O episódio fornece uma base sólida para a doutrina da Trindade. Nesta lição, vamos abordar o mistério da Trindade sob três aspectos: a revelação no batismo de Jesus, a distinção e unidade das pessoas divinas e a relevância da Trindade para a fé cristã.
I - A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS
1. O batismo do Filho: a obediência de Cristo.
Jesus, o Deus encarnado (Jo 1.14), desceu às águas do Jordão para ser batizado por João Batista (Mt 3.13). Este ato, à primeira vista, pode parecer desnecessário, já que Jesus não era um pecador (2Co 5.21; Hb 4.15). Contudo, Ele disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Jesus não precisava ser batizado como uma forma de expressar arrependimento (Mt 3.6). Contudo, Ele submeteu-se a essa tradição judaica, associando-se à condição dos pecadores que veio salvar (Mt 5.17). Assim, o batismo de Jesus é um gesto de identificação com a humanidade pecadora e uma atitude de obediência ao plano redentor do Pai. Esse é o início visível da missão messiânica, que culminaria na cruz (Fp 2.8).
2. A descida do Espírito: a unção para o Ministério.
Logo após sair das águas, Jesus viu os céus se abrirem e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como uma pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32). Essa manifestação visível indicava ser Ele o Messias prometido, o Cristo, literalmente “o Ungido” de Deus (Is 11.2; 42.1). Essa unção, porém, não deve ser confundida como uma “adoção do Espírito”, como se Jesus passasse a ser o Messias naquele instante. Antes mesmo do batismo, Ele já era o Filho de Deus (Lc 1.32). Portanto, a vinda do Espírito sobre Jesus na ocasião do batismo representa sua unção pública e visível, marcando o início de seu ministério terreno e capacitando-O para cumprir a missão redentora, conforme as profecias messiânicas (Is 61.1,2; Lc 4.18-21).
3. A voz do Pai: a aprovação celestial.
Por fim, uma voz audível do céu proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; Lc 3.22; Mc 1.11). Trata-se de uma declaração solene e pública do Pai, que não apenas confirma a identidade messiânica, mas também a divindade de Jesus.
Essa afirmação remete às mensagens messiânicas e proféticas de que Jesus é o Filho eterno, o Ungido de Deus, aquele que agrada plenamente ao Pai (Sl 2.7; Is 42.1). A voz celestial não inaugura sua Filiação, mas a proclama diante da humanidade, confirmando a encarnação do Verbo (Jo 1.14). Desse modo, a voz de Deus no batismo autentica não somente a missão redentora de Jesus, mas, ainda, demonstra sua Filiação divina: Ele é o Filho em quem o Pai tem completo prazer.
II - A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS
1. Unidade e distinção pessoal.
A doutrina da Trindade afirma que Deus é uma só essência (gr. ousia), mas subsiste em três Pessoas distintas (gr. hipóstases). A Obra da Redenção, por exemplo, é trinitária em sua essência: o Pai planeja e elege (Ef 1.4); o Filho executa a obra expiatória (Jo 3.16; Hb 9.12); e o Espírito aplica os benefícios da salvação (Tt 3.5; Rm 8.16). Assim, a unidade divina, longe de contradizer a Trindade, é enriquecida por ela, revelando um Deus que é, ao mesmo tempo, uno em essência e Triúno em Pessoa. O Deus Bíblico não é uma unidade absoluta, monolítica ou impessoal, mas sim uma unidade composta e dinâmica, eternamente subsistente em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
2. A Pluralidade na Unidade no Antigo Testamento.
O Antigo Testamento aponta para uma pluralidade dentro da unidade divina. O nome hebraico Elohim, plural de Eloah, é utilizado para designar o Deus único de Israel: “No princípio, criou Deus (Elohim) os céus e a terra” (Gn 1.1). No texto, o sujeito (Deus) está no plural, enquanto o verbo “criou” (bara) está no singular, indicando uma pluralidade pessoal em uma única essência divina. Essa estrutura gramatical incomum reaparece em outros textos bíblicos (cf. Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.8). Essas passagens evidenciam que o monoteísmo do AT não nega a Trindade, mas admite pluralidade interna na divindade. Assim sendo, a doutrina da Trindade não contraria a unidade de Deus conforme revelada nas Escrituras, mas a completa e a qualifica.
3. A Trindade Explicitada no Novo Testamento.
A Trindade não é vista como três deuses, mas como três Pessoas em um único Deus. Por exemplo, na fórmula batismal “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19); o substantivo singular “nome” (Gr. ónoma), indica uma só essência, seguida por três Pessoas distintas. O mesmo ocorre na bênção apostólica “a graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos” (2Co 13.13); esse texto associa as três Pessoas de modo equitativo.
Ainda, as Escrituras afirmam que fomos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe 1.2); aqui a participação das três Pessoas divinas na obra da salvação é nitidamente evidenciada. E Paulo acrescenta “há um só corpo e um só Espírito... um só Senhor... um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6); essa tríade (Espírito, Senhor, e Deus Pai) reflete obviamente a estrutura trinitária da divindade.
III - A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA FÉ CRISTÃ
1. Desenvolvimento doutrinário da Trindade.
A doutrina da Trindade não é uma elaboração tardia da fé cristã, ela emerge das Escrituras como a revelação progressiva do Deus vivo (Dt 6.4; Mc 12.29; Rm 1.3,4; Is 7.14; Jo 16.13; 2Co 3.17). Sua plena compreensão foi definida nos primeiros séculos da Igreja. O Concílio de Niceia (325 d.C.) proclamou que o Filho é “da mesma substância” (gr. homoousios) do Pai, condenando a ideia de que Ele fosse uma criatura exaltada. O Concílio de Constantinopla (381 d.C.) completou a formulação trinitária ao afirmar a divindade do Espírito Santo. Desde os primeiros séculos, estudiosos da fé cristã têm ensinado a perfeita unidade em Deus, sem confundir a identidade de cada Pessoa divina. Assim, aprendemos que o Pai, eterno e não gerado, é a fonte; o Filho é gerado do Pai; e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Desse modo, o apóstolo Paulo ensina a natureza trinitária da espiritualidade cristã: o cristão ora ao Pai, por meio do Filho, no poder do Espírito Santo (Ef 2.13,18).
2. Implicações doutrinárias.
A negação da Trindade resultou em heresias. O triteísmo (crença em três deuses separados) viola a unidade de Deus, pois a Bíblia revela a existência de “um só Deus” (1Co 8.6). O unitarismo afirma que somente o Pai é Deus, negando a divindade de Cristo e do Espírito Santo, contrariando as Escrituras que ensinam a divindade de ambos (Jo 1.1; At 5.3,4). O unicismo (ou modalismo), ensina que Deus se manifesta em três formas sucessivas, porém, no batismo de Jesus está claro que as três Pessoas são distintas e se manifestaram simultaneamente (Mt 3.16,17). Assim sendo, o monoteísmo bíblico ensina que “há um só Deus que subsiste em três Pessoas distintas”. A compreensão distorcida dessa doutrina tem sérias implicações para a salvação: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A doutrina da Trindade é inseparável do Evangelho, pois o Deus que salva é o mesmo Deus que se revela.
CONCLUSÃO
Compreender a Trindade é fundamental para manter a fidelidade doutrinária. Ela não apenas protege a integridade da revelação de Deus, mas também sustenta toda a estrutura da salvação. Crer na Trindade é crer no Deus que salva e que se manifesta plenamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso, a doutrina da Trindade deve ser confessada, celebrada e ensinada como um fundamento inegociável da fé cristã.
