LIÇÃO 5 | O Deus Filho

1 de fevereiro de 2026

TEXTO ÁUREO

Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.(Mt 17.5b).

VERDADE PRÁTICA

Jesus Cristo, o Deus Filho, é a revelação plena do Pai, centro da revelação divina e único mediador entre Deus e os homens.

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Lc 1.35

A concepção virginal e a ação da Trindade

Terça — Jo 1.1-3

O Filho é Deus desde a eternidade

Quarta — Mt 17.2,3

A glória divina de Jesus na Transfiguração

Quinta — Hb 1.1-3

O Filho como revelação suprema

Sexta — At 4.12

Cristo é o único caminho de salvação

Sábado — Fp 2.9-11

Cristo exaltado acima de todo nome

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8.

31 — E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
32 — Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.
34 — E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?
35 — E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

5 — E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.
6 — E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo.
7 — E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo.
8 — E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus.

Lucas 1

Mateus 17

1 — Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte.
2 — E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.
3 — E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
4 — E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias.

INTRODUÇÃO

Ratificamos que a Trindade nos revela um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O episódio da transfiguração (Mt 17.1-8) é um dos momentos marcantes da revelação da glória do Deus Filho. Nele, Jesus — a Segunda Pessoa da Trindade — é exaltado diante de testemunhas oculares, com a aprovação explícita do Pai. Ele não é um personagem entre outros, mas o Deus encarnado. Esta lição nos conduz a contemplar a divindade, a centralidade e a missão redentora do Deus Filho.

I - A DIVINDADE DO FILHO

1. A Concepção Virginal de Jesus.

A concepção do Senhor Jesus foi um ato miraculoso. Sobre isso, o anjo Gabriel explicou à virgem: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35a). O texto afirma que Jesus seria concebido pela ação do Espírito Santo e pela sombra do poder de Deus. A expressão “sombra” (gr. episkiázō) refere-se à presença divina (Êx 40.35). Assim, o Espírito Santo está vinculado à sombra da “virtude” (gr. dýnamis), ou seja, ao poder de Deus. Isso indica que a presença poderosa de Deus repousou sobre Maria, de modo que o menino concebido pelo Espírito Santo seria chamado de Filho de Deus (Lc 1.35b). Dessa maneira, observa-se, nesse evento, a manifestação da Trindade: o Pai, o Filho de Deus e o Espírito Santo.

2. A deidade absoluta do Filho.

O Senhor Jesus Cristo é, desde a eternidade, o único Filho de Deus e possui a mesma essência e substância (gr. homooúsios) do Pai (Jo 10.30; 14.9). Antes de nascer em Belém, o Filho já existia eternamente com o Pai: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Ele é a Segunda Pessoa da Trindade e foi enviado pelo Pai ao mundo (1Jo 4.9). Ele se fez carne, sem deixar de ser Deus, possuindo duas naturezas, a divina e a humana, unidas numa única pessoa (Jo 1.14; Fp 2.6-11). Essa união das duas naturezas é sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação (Concílio de Calcedônia, 451 d.C.). Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem (Rm 1.3,4; 9.5). Sendo Deus e homem, Jesus é o único mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5).

3. Os atributos divinos de Jesus.

Como Segunda Pessoa da Trindade, Jesus possui todos os atributos essenciais da divindade. Entre eles, citamos: Eternidade — Jesus não teve começo, pois é eterno como o Pai (Is 9.6); Imutabilidade — Cristo, sendo Deus, não muda em seu ser ou caráter (Hb 1.12); Onipresença — Jesus declarou sua presença universal (Mt 18.20); Onisciência — Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17); Onipotência — nada é impossível para Ele (Ap 1.8). Em suma, Jesus Cristo manifesta em si mesmo todos os atributos que pertencem exclusivamente a Deus. Isso demonstra de forma incontestável sua plena divindade. Crer em Jesus como Deus é vital para a fé cristã. Negar qualquer um desses atributos é negar a essência do Evangelho (Jo 20.31).

II - A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO

1. A glória sobrenatural de Jesus.

Pedro, Tiago e João acompanharam Jesus até um alto monte (Mt 17.1). Neste local, Jesus “transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2). O verbo “transfigurar” é tradução do grego metamorphóō do qual se originou o vocábulo “metamorfose” (transformação, mudança). Na ocasião, Jesus revelou temporariamente a glória da sua natureza divina, com aparência resplandecente. Um prólogo escatológico, um vislumbre do Cristo pós-ressurreto e glorificado (Ap 1.6). Uma confirmação da união das duas naturezas de Cristo: humana e divina, duas naturezas em uma só pessoa (Jo 1.14). Aqui, a divindade de Jesus foi revelada. Uma manifestação visível da glória de Deus no Filho encarnado (Fp 2.6-9).

2. O testemunho da Lei e dos Profetas.

Estando no monte “eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mt 17.3). A aparição de Moisés e Elias não foi um contato com os mortos (Mc 12.27; Lc 16.26), mas um ato divino carregado de significado escatológico. Moisés representa a Lei. Ele é o mediador da Antiga Aliança, o legislador do povo hebreu (Êx 24.7,8). Sua presença indica que toda a Lei aponta para Cristo (Mt 5.17). Elias representa os Profetas, considerado o símbolo da proclamação profética. Sua aparição mostra que os profetas anunciavam a vinda do Messias (Is 9.6; Ml 4.5,6). Esses dois personagens testemunham que Jesus é o tema central e o cumprimento definitivo das Escrituras (Lc 24.27). A presença deles é uma prova visível da superioridade de Jesus (Hb 1.1,2).

3. A aprovação divina do Pai.

A transfiguração atinge seu clímax com a voz audível do próprio Pai: “eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz” (Mt 17.5a). A voz vinda da nuvem — símbolo da presença de Deus (Êx 13.21) — ecoa as palavras já proferidas no batismo de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; 17.5b). Essa repetição é significativa: o Pai confirma que Jesus é o seu Filho eterno, não apenas em missão redentora, mas em natureza divina. A expressão “em quem me comprazo” (gr. eudokēsa) revela que o Filho é aquEle em quem o Pai se deleita (Is 42.1). A voz do Pai é uma afirmação da centralidade de Cristo (Jo 14.6) e sustenta a doutrina da Trindade, em que o Filho é Deus, gerado pelo Pai e consubstancial com Ele (Jo 14.9,10).

III - A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

1. O Filho como revelação suprema.

A transfiguração é marcada, também, por uma ordem direta do Pai acerca do Filho: “escutai-o” (Mt 17.5c). A declaração reflete a profecia de Moisés: “O Senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15). A Escritura deixa claro que esse Profeta prometido é o próprio Cristo (Jo 6.14; At 3.20-23). A instrução — “escutai-o” — coloca o Filho em posição de supremacia sobre as revelações anteriores (Lc 16.16; Jo 1.17,18). Não é Moisés (a Lei) e nem Elias (os Profetas) que devem ser ouvidos, mas o Cristo (Hb 1.1,2). Esse evento sinaliza a transição entre a Antiga e a Nova Aliança, centrada na pessoa do Filho (Cl 2.17; Hb 10.1). Logo, negar a Cristo, ignorá-lo ou relativizar sua voz é rejeitar a autoridade de Deus (1Jo 5.12).

3. O aprendizado pela experiência.

A revelação da glória do Cristo ressurreto, foi também um evento pedagógico para os discípulos. A experiência os fortaleceu para o futuro sofrimento de Jesus. Mais tarde, Pedro reconheceu o episódio como evidência incontestável da majestade de Jesus: “mas nós mesmos vimos a sua majestade [...] quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” (2Pe 1.16,17). A transfiguração, portanto, é o vislumbre do Reino, prenúncio da ressurreição, antecipação da vitória final de Cristo, e o anúncio de seu triunfo escatológico sobre a morte e todo domínio (Hb 1.8-12; Fp 2.9-11). Diante dessa glória, somos chamados a contemplar e adorar a Cristo com fé e esperança (Hb 12.2).

2. A exclusividade de Cristo na redenção.

Após a visão do Cristo transfigurado, a Bíblia declara: “erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus” (Mt 17.8). Essa afirmação encerra uma verdade fundamental: Cristo é absolutamente único e exclusivo na obra da redenção. A presença de Moisés e Elias cessou; restou apenas Cristo. Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mt 5.17). Toda a Escritura aponta para Ele (Lc 24.27). Cristo não é meramente um Profeta; Ele é o Deus revelado (Jo 14.9), o resplendor da glória divina (Hb 1.3). Ele é o único mediador entre Deus e os homens (At 4.12; 1Tm 2.5). Seu sacrifício é plenamente suficiente para reconciliar o pecador com Deus (Cl 1.20-22). Diante de sua majestade, toda figura da Antiga Aliança se desfaz — somente Jesus permanece.

CONCLUSÃO

A doutrina do Deus Filho nos conduz à centralidade de Cristo na fé cristã. Sua divindade, glória e missão redentora revelam o coração do Pai e o agir do Espírito. Ele é o Verbo eterno feito carne, o único que pode reconciliar o homem com Deus. Por isso, devemos reconhecê-lo como Senhor absoluto, prostrar-nos em adoração, ouvi-Lo e segui-Lo em obediência, reverência e gratidão.